quinta-feira, 30 de junho de 2011

grécia siglo 21

ativistas gregos protestam contra a falência da Grécia causada pela estabilidade econômica da União Européia
deformidades
com fome
do formidável

formidável
fome
de formas

formas formidáveis
de matar
a fome

deformações

quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

magnatas

parece que não tem mais acento no cu
ELISON
SLIM
GATES
AND BUFFETT
EIKE
AND SAFRA
ENFIEM
SUAS
FORBES
NO

sanguinho

utilizo o impossível
como metaplano
o resto é a vida
tomando nos canos

sexta-feira, 24 de junho de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

pena

silencia a minha pena
aquilo que foi culpa
apenas

janelas e portas

nos poemas de amor de Neruda
nos soldados de Terracota
a vida é um deus nos acuda
abrindo janelas
batendo portas

beatrizes

nos cantos dos infernos
beatrizes são papéis
que ardem no fogo
botam ordem no caos
e o poeta é sempre
mal acompanhado

segunda-feira, 20 de junho de 2011

emanações

elasticidade
é tudo que se precisa
para ir do céu à China
é tudo que se requer
emanações inferno
e fé

jokerman

o nariz
quebrei na esquina
pediram bis
 
o sangue
quase todo
por um triz
 
o nariz
quebrei na esquina
bis
 
desta vez
era o teu
nariz 

a cada toque - cleide guedes

O sono não vem...
Sento em frente a tela na esperança de encontrar respostas a tantas perguntas, já as fiz mil vezes.
Ansiedade é que me tira o sono,
Ansiedade é que me faz contar as horas...
A cada toque, a cada tecla, a cada espera.
Não faço mais uso de meu juízo,
Nem o quero.

O momento é de deixar cair as amarras,
O momento é de libertação.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

laura

LENHA HUMANA
SELVA CASEIRA
CRIONCINHAS NO TAPETE

ana - claudia freire

ANA,
seu nome é palíndromo,
vai-e-vem
AMA no AFÃ
sabe RIR de si
RELER o passado
REGER o futuro
divaga e devaneia
sabe que Roma não é palíndromo
é destino
e é também ANA-grama
e quando menos espera,
troca as letras e...
amor é o que ela encontra
e esse sim é o presente,
o inestimável presente.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

dois - maria andersen


Uma boca que quer outra boca
Uma fome que clama outra fome
Uma mão que chama outra mão
& o corpo que se ateia noutro corpo
nesse vigor que agoniza
nesses ecos -
um gesto que pede outro gesto
um olhar que penetra outro olhar
pelas paredes da terra
o pensamento que gera sensações
herdeiras de sussurros & de estrelas
& aves aves aves a nascer nos poros
& o silêncio dos astros
a densa neblina das vozes
& o vazio & o cheio de nós
do ar do tacto do corpo
do sexo noutro sexo
nessa lenta descida da sede
& as águas intimas que caiem sem tempo
nesse deserto rigoroso & humano
que chora que canta que dança
que se abre em vertentes
nas gargantas agrestes de gritos

ah plenitude animal toda no interior de uma boca
& no olhar um imenso orvalho puro

* Dois
que significa em nós a união entre a essência e matéria
por isso significa plenitude!
A eterna e dual duplicidade e cumplicidade de tudo em tudo
Um que não existe sem o outro
a árvore e sua sombra
a lua e o sol
a noite e o dia
a água e a terra
o fogo e o ar
a macho e a fêmea
a alegria e a tristeza
a dor a felicidade
a ausência e a presença
a luz e a escuridão
se não fosses serem dois como saberíamos do um?
Que significado teria a alegria sem a tristeza? O como entenderíamos a tristeza? E a ausência sem saber o que é a presença?
Um é o sentido absoluto do outro que faz dois.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

minuto de comercial

Tudo o que eu queria era lançar um livro de poemas. Fui atrás de editoras e nada, algumas chegaram a propor que eu pagasse. Fiquei de saco cheio...dei um tempo e nesse tempo pensei na possibilidade de um blog, mas, sou daqueles que adoram as páginas de papel, o cheiro, o barato do livro...(descobri depois, através da poeta Flá Perez, que um blog é um livro em construção).
Passado esse meu romantismo, há oito meses, mandei bala no blog: um poema por dia (não que poste todo dia ou tenha que criar um poema todo dia). A coisa foi pegando e pegando e taí!
Outros poetas se acoplaram a este espaço, assim como eu. Sou o editor, mas, quem deu o primeiro chute, não é o dono da bola, a bola precisa rolar...
Por enquanto o blog continua da palavra... já pensei em links audiovisuais...e aviso: a idéia é manter ou melhorar sempre.
Aqui é o espaço onde você vai ler o poema nosso de cada dia!

átimo - zé mateus

UM ÁTIMO
DO ÓTIMO
JÁ SERVIA
ZÉ MATEUS EM FOTO DE PEDRO PEPE FILHO

microconto 6: o amor é um torpedo - leonard almeida

14:26 - Oi amor, tdo bem? Ja cheguei na casa da praia. Naum ta calor, mas faz mormaço. Vai ser mto bom passar esse fds com vc, Beijos, te amo d+


16:38 - Amor, decidi dar uma volta no calçadao. Ta cheio de gente nos quiosques. To tomando um sorvete e pensando em vc. Como tá o trabalho? Q horas chega aki? Te espero, bjos. Te amo s2


18:23 - Amor, vc tá recebendo meus torpedos? Ta com raiva de mim? Já disse pra gente esquecer aquilo. Vem pra ca, vamos recomeçar. Te espero, beijos, te amo mto


20:35 - Estou tomando caipirinha agora. Penso no q aconteceu e tenho vontade de chorar. O mar está lindo, acho q vou entrar nele. Vc vem? Nao me odeie por favor, te amo tanto...


Baseado em mensagens que recebi um dia por engano no meu celular. Infelizmente não pude responder e avisar, pois meus créditos tinham acabado.

terça-feira, 14 de junho de 2011

aos pariceiros dos anos 80 - valmir jordão


 
  Eu vi os expoentes da minha geração consumindo muito alcool, na  Hospício em busca da loucura,
  chapando insistentemente no Beco da Fome para recitar na Sete de Setembro contra o auto otarismo
  e o autoritarismo em voga,

  andando pelas  ruas da Boa Vista feito zumbis bêbados, ansiando fumar um nos miseráveis apartamentos
  sem água e sem luz, flutuando sobre os tetos da cidade contemplando junkies que desnudaram seus
  cérebros ao céu e, viram  o CCC com as mãos sujas do sangue do Pe. Henrique,
 
  cansados dos acadêmicos sem brilho, dissecando as almas dos poetas malditos, com toda a mediocridade
  e  arrogância dos  que tentam apropiar-se do alheio,

  enquanto  Gregório de Matos, William Blake e  Patativa do Assaré  reluzem em outras dimensões,
  erámos detidos e baculejados pela polícia suspeitos de vagabundagem e subversão,

  e  vi a juventude mergulhada nas drogas alopáticas, uns dependentes do Algafan, outros no éter e
  no Pambenyl e mais alguns usando Cocaína ou Fiorinal para encontrar o seu própio paraíso artificial,

  presenciei o bardo Alberto da Cunha Melo a combater o regime de excessão na estrada do excesso,
  pois todo gênio que se preza, busca a sua garrafa, enquanto boa parte da sua geração camuflava-se
  na aura da vaidade literária,

  Erickson Luna com sua auto-flagelação nas drogas, no alcool e na anorexia das  noites insones no
  Cais de Santa Rita ou em Santo Amaro das Salinas, armado de copo na mão com aparência a esganar
  o mundo e todo mundo, a dizer que a felicidade é apenas um golpe publicitário,

  Espinhara espinhando as relações com o seu jeito espinhoso de ser, Lautreamont, Augusto dos Anjos,
  Jean Genet  e  Chico Buarque foi o seu quarteto mais que fantático, fora de si, tentou afogar-se na lama
  mas a Buarque de Macedo rejeitou esta atitude, semeava o Lítero e colhia pessimismo com o seu mau humor
  e machismo digno de um Bukovisk e, foi o poeta da flor e do espinho,

  O comportamental França nos seus recitais notívagos e sedutores, a atrair burguesas branquelas com a sua
  fala  e o seu falo de ébano, a repetir quem quer querelas?

  O deseducador cultural  Jomard Muniz de Brito evocando Glauber e o Tropicalismo nordestinado contra a caretice
  nos meios e nas mansardas recifenses, a quebrar tabus sendo eternamente Pagú e Papangu nos canaviais e carnavais
  da Mauricéia travada pela burrice, mil vivas ao mau velhinho!

  Fred Caminha  nas pensões e manicômios, nos Coelhos e no Bairro do Recife ou na Palma em busca de uma
  puta , uma carreira ou uma bola para rolar na Conde da Boa Vista, Príncipe ou Manoel Borba,

  Jorge Lopes tatuando na própia alma seus desejos de sexo, drogas & rock and roll, da Caxangá a Riachuelo
  na sua batalha diária contra a fome de viver, para não torna-se uma garatuja de si própio,

  Vi Cida Pedrosa, Lara, Samuca, Miró e os Cavaleiros da Epifania a calvagar na Ilusão de Ética e na resenha
  Interpoética sempre Amarginal,
  Hector Pellizzi, Juhareiz Correya, Fátima Ferreira, Wilson Veira, Joca de Oliveira e Humberto Felipe ecoando
  poemas no Savoy, no Calabouço,e na Livro 7 mostrando o quanto a América estava indignada,

  e todos se reergueram no passo libertário do Frevo e na síncope do Maracatu e na batida literalmente do Côco,
  provaram o vinho avinagrado dos tempos difíceis, mas mesmo assim deixando o que houve para ser dito no tempo
  após  a morte ...

possesso

QUER LER
LEIA
QUER VER
VEIA

segunda-feira, 13 de junho de 2011

delir

preciso chegar ao ventre
encontrar alguém  que diga entre
num comovente e distraído
aparentemente sem sentido
delir

quinta-feira, 9 de junho de 2011

lance de dados - zé mateus

escrever para os que entendem tudo,
acumpliciando-se do escritor, e são complascentes;
escrever para os ultracríticos, que contestam desde a grafia até a exatidão das referências;
escrever para os que lêem poesia como quem lê jornal: distraidamente;
escrever para os que procuram na poesia consolo para seus fracassos amorosos;
escrever para os que buscam ilustrar com poesia a torrente da paixão;
escrever para os geômetras do entendimento, para os quais as tensões internas do poema são como uma flor secreta;
escrever para os que não entendem nada;
escrever para os que são cegos;
escrever para não ser entendido, ser ridicularizado e ultrajado nos suplementos;
escrever como quem conta uma pequena mentira, e embute na mentira uma grande verdade;
escrever também para os atores que perderam o texto, e podem iluminar o espetáculo com um poema improvisado;
escrever para poder morrer em paz.

 

ardiam

dias que a gente se adia
quero fazer uma 
carta-poema
velhos problemas
novos poemas
ardiam

quarta-feira, 8 de junho de 2011

o poema que daria para infinitas palavras ... - maria andersen

e são tantas as semelhanças....inumeráveis...mas tantas vezes as esquecemos ou gastamo-las envelhecidas pelo tempo ..
Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse é o reino da infância.
Esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, e ao qual, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos chama-se, às vezes, tantas vezes... poesia - meu deslumbre e meu ventre.
Essa espécie de terra mítica e mística que é habitada por seres de tão grande formosura -as crianças, nas quais os anjos tiveram o seu modelo!
A sedução e encanto das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais, com a natureza mater , com essa naturalidade, do seu sem medo — a sua relação com o mundo!, mas não o mundo da utilidade, só com o mundo do prazer, mas não do hedonismo ( não confundamos) falo obviamente de um outro prazer. O prazer da alma antes de outro qualquer prazer…o prazer do puro olhar, o sentir sem mais nada, somente pelo sentir. As crianças, não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas puras criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas que têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, diminui-se e extingue-se nessa putrefacção do olhar poluído de tudo....

então sejamos poetas/ crianças de olhar sempre menino
sempre raiado de encanto...de encanto, de encanto...

razões

a virtude é sábia é um vício
razões para tanto não faltam
o que falta é convicção!

justiça total - valmir jordão

Coca para os ricos
Cola para os pobres
Coca-Cola é isso aí!

terça-feira, 7 de junho de 2011

dormir que nem chinês - leonard almeida

Dormir que nem chinês
descobri outro dia
que em qualquer lugar que fosse
lugar qualquer que ia
quando sentia aquele baita sono
o chinês ia lá e dormia

Ele dorme em todo tipo de coisa e lugar
não precisa nem arrumar um canto
uma cama, um chão
nem precisa deitar
se recosta numa árvore
se apóia num banco, num cão
e dorme tranquilo, sem medo
sem pressa de acordar

Até a bicicleta que o transporta
pra todo lugar
se tranforma num quarto negro
quando cansa de pedalar
e pedalando ele vai no sono
percorrendo as avenidas de um sonho
contornando o trânsito diário
do trabalho,
das contas, dos desejos, despejos, incertezas, ideais
dogmas, leis, morais,
filhos, pais,
mandarins, feng-shuis, dragões,
revoluções, paz,
terremotos, tsunamis, furacões,
talharins, fome, doenças,
morte,
vida.

E quando ele acorda
ainda é dia...

não existe - zé mateus

cêrca é
em volta
porta é
dar passagem
e o não
não existe.

fique

FIQUE NA SUA
A VIDA ATUA

segunda-feira, 6 de junho de 2011

a palavra - maria andersen

a
palavra

ela
mesma

fruta
que
sinto
no
palato

cheiro da noite - cleide guedes

De repente tinha anoitecido.
Abri os olhos devagar, buscando na escuridão um ponto de luz.
Fazia calor e as janelas estavam abertas e uma pequena claridade do luar teimava entrar através da cortina que balançava suave.
Uma brisa fresca soprou, me fazando arrepiar.
Senti o cheiro da noite, misto de chuva recém caida e alguma flor que nem sei identificar.
Virei de lado e alcancei o outro travesseiro.
Vazio.
Tive impetos de levantar e olhar lá fora.
Mas resolvi ficar quietinha deixando o sono novamente me dominar.
Olhos cerrados...
Enfim adormeci, mais uma vez só! 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

faço parte - zé mateus

eu sinto a maior simpatia
pela humanidade.
não é, assassinos?
não é, ladrões?
não é, putas?
não é, bêbados?
etcétera.
afinal,
eu faço parte.

mudando o tempo - zé mateus

hora em que ninguém tem horas
ninguém tem relógio
quando soa o sinal
o alarme
todos perderam a hora:
quantos ganharam o dia,
mudando o tempo em vida
e a vida em instante?

quinta-feira, 2 de junho de 2011

microconto 5 - leonard almeida

Rodava com seu táxi pelas ruas da vida. Sempre em alta velocidade, tentava driblar o trânsito e encontrar atalhos para satisfazer a pressa dos passageiros.
Levava sempre uma arma embaixo do banco, “para se defender da bandidagem”, dizia. Mas talvez seu rosto carrancudo já fosse o suficiente.
Já não saía mais nas folgas, nem para beber o uísque da madrugada, nem a cerveja do domingo no boteco da vila. As damas do amor pago também já não lhe arrancavam mais sorrisos.
A bandeira dois de seu peito já não era acionada há muito tempo. Era divorciado.
E de tanto conhecer a cidade, os caminhos para qualquer lugar ou lugar nenhum, tantas pessoas, tantos destinos, um dia perdeu-se de vez. O itinerário para chegar a si mesmo nem sempre é fácil de se lembrar. E não há asfalto, mapas ou placas para facilitar.

livro

um dia
pego tudo e faço
um livro
um dia
me livro
de tudo isso