segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

fantasias

alimentei
fantasias
que arrotaram
fantasmas
que não me amedrontam
mas
por via
das dúvidas
vou deixá-las
morrerem
de
fome

domingo, 4 de dezembro de 2016

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

ouvidos perpétuos

letícia disse:
não deixem que o Lethes
o rio do esquecimento
vos atravessem.
eles deixaram
e perderam
a sabatella da memória

*

difícil tragar
batedores de panelas
em terra de tambores
assim sendo
esse samba
branco de horrores
não abre portas
vomita
 janelas

*

e deuses dentro do coração
educando os passos
sem chorar passarinhos
dizem com certeza
que a solidariedade vai ganhar a guerra
quando minar os cleros
que praticam para o vulgo
o ritual da ignorância

*

um amigo de infância
uma infância de amigos
amizade infalível

*

horizontes abertos
perto do longe
longe do certo
caminhos distantes
ouvidos perpétuos

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

4

1
vai, agora é tua vez
vê se me erra
vou, agora é a minha
vê se me enterra
 
2
sente-se
sente
a poesia
 
levante-se
levante
voo
 
3
velhinho
no
vinho
 
4
a lua
tem seu curso
 
tenho um amigo
bipolar branco
urso


domingo, 23 de outubro de 2016

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

lobisomem

quando a lua cresce
anoitece em teu coração
quando a lua avança
impossível dizer não
quando a lua ainda
você é a coisa mais linda
quando a lua some
vai-se embora
o lobisomem

sábado, 15 de outubro de 2016

conversam

teus olhos chovem
em mim
doem
 
tua boca cala
em mim
fala
 
tua mão pára
em mim
sara
 
teus ouvidos conservam
em mim
conversam
 
teu nariz cheira
em mim
respira
 
tua língua sabe
em mim
lambe
 
teu sexo olha
em mim
molha


capricho distraído

pelo capricho distraído
das horas sem orlas
pelo desejo impossível
dos minutos sem os segundos
pelo querer relaxado
dos homens sem mulheres
pela dádiva dada
aos inocentes arrependidos
pelo corredor polonês
dos chutes dados sem dó
que você os recebeu em mi maior


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

(br) others


1
perto do longe
longe do certo
 
2
cantam as vogais
suas consoantes
 
3
deuses dentro do coração
educando os passos
sem chorar passarinhos
 
4
batedores de panelas
em terra de tambores
 assim esse samba
branco de horrores
não abre portas
vomita janelas
 
5
ratos políticos
roendo ratoeiras
 
6
a mais de 500 anos
todos os dias
índios e índias
choram um amazonas
secando
 
7
a pedra-pomes
comendo teus excessos
de homem

8
entre as
dispostas
e as não dispostas
ganhe essa bosta
 escreva
as que gostas

9
 reforma bio-agrária nesta terra
 quem faz
são os vermes
quando morres

10
perdi a mão com você
quando pedi a tua mão

11
tem os marginalmente bons
também os irremediavelmente maus
que não sobem degraus
 
 
 
 
 
 


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

deusa e semi-deusa - dandra pereira

sob o mito da deusa
vivo
com ela sorrio, choro
me penteio
corro e me descabelo
 
a ela pertence meu íntimo
pensamentos-sensações
sentimentos-emoções
 
quando sangro
compactuamos
do sagrado de sermos
deusa e semi-deusa
 
lateja o mundo aqui dentro
golpeia o mundo cá fora
 
esse sangue que na luta
me escorre
(não cheira a erro)
grata o entrego à terra
que, generosa, me devolve
em flores
 
enfeito minha coragem
e perfumada (sob o mito) sigo.
 
 

atravesso ruas como vozes - dafne strada

tenho vinho de rosas à porta
damascos maduros
quase gente
nuvens discípulas como casas
no fundo dos meus olhos
atravesso vozes como ruas
palavras como bosques inóspitos
e sentidos que invoco grávidos
como mães
de crianças ao colo


sábado, 17 de setembro de 2016

gotham em gotas

penso em
nossa senhora de batman
assim aparecida
em gotham
distribuindo elucidação
em gotas
para qualquer tipo
de situação
alucinada

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

evoé

vão-se os dedos
ficam os medos

*

evoé
espante os pássaros
e voe

*

diga aos tubarões
que te devoram
que tua carne é franca
e cheia de veneno

domingo, 17 de julho de 2016

museu grandes novidades


da coleção crueldades
a que mais me causou
foi o coração pintado a sangue
pelo serial killer

da coleção maldades
fico com o quadro negro
pintado a giz
com um homem preto
enforcado pelos brancos

da coleção preconceito
a foto do menino sírio
na praia com seu brinquedo
imigrante morto por ser

da coleção fascistas
aquela faca afiada
no lombo da plebe
me parece uma arma branca
perfeita para golpes

da coleção usura
estou em dúvida entre aquela
fachada de um banco e a bolsa
de valores
imorais

da coleção ladrão de galinha
fico com aquela mãe
presa com pão sem pagar
na bolsa para os filhos
comerem amanhã

sexta-feira, 15 de julho de 2016

haicais & hay más

não adianta
não tem coca
só tem fanta

*

primeiro assombra
depois o sol espanta
o delírio da sombra

*

vidro de veneno
espatifa-se no chão
corte no pé
morrem os dedos
ao menos

*

quem chantageia o vento com calmaria
não enxerga o cego
olho do furacão

*

depois do raio
canta o trovão
sua chuva

depois da chuva
canta a água
seu rio

depois do rio
canta à margem
sua fera

quarta-feira, 13 de julho de 2016

minha cara

juntos
juntinhos
sempre
semprinho

não quero
não querinho

minha cara
é carinho
e carinho
é muito claro
pois é camaradagem
e camaradagem
não tem preço
nem querer por querer

é só uma forma
de poder
poder ser

história & estória

à esquerda o horizonte
a história a continuação
e os que são

à direita o horror
a estória descontinuada
e os que não

a pessoa precisa
olhar para a direita para a esquerda
para trás para cima para baixo para frente
e mais que tudo: continuar

terça-feira, 12 de julho de 2016

deixa vir o déjà vu

viveu em metáforas
morreu em parábolas
seus dias mais felizes
foram ao lado da dialética

sábado, 9 de julho de 2016

pão nosso de cada diabo

porquê
haveria de não comer
o pão que o diabo amassou,
se piso
o chão
que o verme adubou?

quarta-feira, 6 de julho de 2016

sábado, 25 de junho de 2016

frutíferas

são primas dos limões
laranjas e mexiricas
no pé são verdes as maçãs
vermelhas nas bochechas

figos fatiados ao meio
lembram você por inteira

kiwis pedem bocas
mangas para serem chupadas
morangos olhados
pêssegos acariciados
por frutíferas mordidas

sexta-feira, 3 de junho de 2016

lancinantes



 1
ato falho
matou o açougueiro
depois foi ao talho

2
ato pudico
matou a brincadeira
para rir em público

3
ato besta
matou a quinta
para chegar na sexta

4
ato zen
matou deus
depois disse amém

5
tenho uma idéia nas mãos
esse poema não me deixa
a cabeça

6
a dor
que não merece
adormece?

7
nem eu sou eu
e você é você mesmo
nem lágrima
nem poema

no ar
caneta e impulso
na mão
calo

deu até pena
o escorpião
picou

8
não comece
nem termine
arremesse
determine


quinta-feira, 2 de junho de 2016

quarta-feira, 4 de maio de 2016

se você não entendeu

não sabem o nome do rio
os peixes que nadam lá
não entendem de altitudes
os pássaros que as povoam
nada dizem de botânica
plantas e flores
não discursam sobre fidelidade
cães que nos adotam
nem mesmo as lágrimas
explicam os olhos

não, não precisa dizer coisa alguma
se não entendeu alguma coisa
com certeza
não perdeu coisa nenhuma

terça-feira, 26 de abril de 2016

roubaram o domingo

e Deus, trabalhador
de todos os dias
quando vieram os bandidos
lhe roubaram o domingo
também toda a semana.
ele agora não descansa
do roubo feito em seu nome, e pensa:
quanta merdamarela emana!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

os olhos roubaram

tudo que os olhos roubaram
você vê quando os fecha

a tensão que faz o arco
na velocidade da flecha

o silêncio do teu cabelo
crescendo numa mecha

a ferida ali sangrando
orando que se impeça

e no entanto quando os abrem
na realidade começa outra festa

sexta-feira, 1 de abril de 2016

à flor da pele - maria andersen

tão clássico
o tempo no ventre da terra
& à flor da pele

o tempo um campo
onde só o coração
desce
& fundo sente
os rios interiores

eu
sigo por esse tempo
em que a cintilante candeia alumia a mulher-
ela borda em toalhas de linho
delicadas flores.

os homens esmagam as uvas no lagar
& sobe a sede às suas gargantas
& ao alto da casa
entoam cantigas que o tempo perpetua
seus filhos adormecem ao redor das horas
& sobe por toda a casa
o denso aroma da vida

& ergue-se o tempo e a dança
pelo outro tempo da memória.
o verbo levanta-se ainda quente
como o pão saído do forno -
assim tudo se ganha & tudo se perde;
voltado o rosto para o sul – ainda se pode escutar
a melódica flauta
pela alta tempestade
o tempo
é toda essa braçada de lenha
que paciente atiras ao lume do olhar

as crianças adormecem dentro dos seus olhos
& assim seguem toda a inocência do mundo

o amor perturba a minha alma
& esse conhecimento é como uma sombra
que o céu escurece

não deixam de se comover os meus olhos
sigo o vaga-lume & as flores
(contra as vozes que nos afastam do mundo)
luto corpo a corpo com a solidão

? qual a morada do eterno retorno

não basta o bordão que trazemos na alma
porque muitas são as vozes do mundo
pela luz da candeia.

o caminho é sempre um exílio
& os olhos como águas de Quineret
.
assim o dom nos contempla…
como o vento na copa das árvores
é o som das nossas vidas no seu mistério
o tempo uma seta indecifrável
que morosamente volta o teu rosto para o espelho…

& só a flor é livre
porque nem sabe da soberba da ciência
eu
gasto meus olhos com o sal das lágrimas
& em cada primavera cavo mais fundo
pelo coração do tempo…

eleva assim o olhar até o alto da alma
& desce ao corpo para veres o infinito:

túnicas de seda & bandejas de oiro
ao redor dos séculos – ossos & esquecimento…
só a cidade estremece pelo seu silêncio criador.

a voz dos rios percorre a alma

mundo desconhecido –
? quantos séculos nos separam da de ti
ó peregrina estrela
assim o voo do cisne pela sua eterna beleza.

flores sem destino

gosto das flores sem destino
daquelas que não morrerão
ao serem cortadas no pé
e dadas a alguém na mão

...

chovia peixes
do dilúvio
o melhor desfecho

...

poetas não produzem
apenas a vida
à palavra seduzem

...

siga seguindo
quando alcançar
siga ao alcance

sexta-feira, 25 de março de 2016

Não ao Golpe - Pepe Filho

Pepe Filho é brasileiro e DJ na noite de Sampa
Nesses tempos turbulentos pré Golpe de Estado, a guerra de informações e a manipulação ideológica permeia tanto as mídias convencionais quanto as alternativas e livres. Em termos de comparação de forças e orçamentos, os conglomerados aparelhados pelos partidos direitistas são gigantes Golias frente aos nanicos Davi de esquerda, geralmente ligados às demandas sociais. Tradicionalmente – e para quem acompanha a vida política no Brasil nos últimos quarenta anos, ou para quem está bem a par da História do Brasil nestes últimos cem anos – isso é deveras sabido: a direita tem pouco ou nenhum compromisso com conceitos como Ética, Moral e fidedignidade de conteúdo, o que, via de regra, não costuma ocorrer com os canais esquerdistas. Obviamente, toda regra tem as suas exceções, as quais somente reforçam e confirmam a regra. Dia desses observei em minha plural e heterogênea rede de contatos uma certa quantidade de pessoas negando o óbvio, que há um típico Golpe de Estado em curso. Inclusive, um Golpe que copia descaradamente táticas de desinformação e acusações baseadas em factoides do Golpe Militar de 1964, aquele que mergulhou o país num período de trevas, ausência de liberdade, alienação do povo e eliminação de opositores através de prisões ilegais, torturas, estupros e assassinatos. Marchas de “cidadãos de bem”, evocações de Deus, acusações de posse ilegal de apartamentos, maniqueísmo mal subsidiado, manipulação escancarada do judiciário, etc. Mesmo frente a esses carimbos, ainda se nega o Golpe. Mas porque se trata de Golpe de Estado? É golpe porque não se tira, dentro das leis e do Estado Democrático de Direito, um presidente do poder à força só porque não se gosta dele, ou só porque a presidenta é mulher, feia e gorda, ou só porque não se gosta do partido dele, ou só porque não se votou nele, ou só porque ouviu dizer que ele é corrupto, ou ainda só porque ele se mostrou incompetente. Só se tira um presidente eleito legítima e democraticamente pela maioria dos brasileiros caso ele ou ela cometa algum crime. E isso tem que ser verdade que salta aos olhos, com provas indubitáveis, e não somente por ter saído num tabloide de fofocas travestido de revista jornalística semanal séria, ou na Rede Globo, ou qualquer outro meio de comunicação do conhecido como P.I.G., ou porque ouviu um juiz claramente partidário e corrupto dizer, ou ouviu de um senador corrupto, traficante e espancador de mulheres, etc. Tem que haver PROVAS, em caixa alta. E quando importantes setores da sociedade (industriais, imprensa, judiciário, partidos de direita, etc.) se unem para tirar a atual presidenta do poder sem essas provas, à força, baseados em provas forjadas e factoides sem prova alguma, liderados por políticos corruptos, a isso se dá o nome de Golpe de Estado. Porém, caso essas provas reais e indubitáveis apareçam, daí não se trata de golpe, e sim um simples “impeachment”, o qual todo cidadão legalista, independente de sua posição no espectro político ideológico, deve apoiar. Já um Golpe de Estado, todo cidadão de bem deve combater, pois o que está em risco são os pilares da Democracia, de nossas leis, da Constituição, do Estado de Direito, da estabilidade social, dos princípios de isonomia, de imparcialidade e de presunção de inocência. Uma vez que esse limite é ultrapassado, ninguém mais estará imune. Tudo isso me fez pensar: o que leva um cidadão, muitas vezes bem instruído, a não enxergar (ou negar) o Golpe em curso? Porque esse Golpe é tão claro e óbvio para uns e não para outros? Encontrei algumas respostas e, para simplificar de maneira quase conceptista, reuni os que negam o Golpe em dois grupos: dos alienados/manipulados e dos corruptos/mal intencionados. Desculpe-me o leitor que se ofender pelo rótulo, essa não é a intenção, mas sim o didatismo. De um lado, há as pessoas que não possuem todas as informações necessárias para o saber, e as informações que possuem vem justamente da mídia comprometida com a manipulação político-ideológica direitista. Esses acreditam fielmente nas notícias que leem, e não possuem subsídios histórico-sociológicos para questioná-las. Esses eu classifiquei como alienados e/ou manipulados. Por outro lado, há os que tem muito a perder com o governo atual que permite (algo que não ocorria antes, como explicado adiante) investigações de esquemas de corrupção. Ou aqueles puramente preconceituosos, que não admitem no poder um partido vindo das classes trabalhadoras, nem um metalúrgico de chão de fábrica, nem uma subversiva dos anos e chumbo. E há ainda a parcela extremamente preconceituosa da elite e das classes média-altas que simplesmente não admitem compartilhar acesso aos mesmos ambientes antes exclusivos, como certas universidades, shoppings, aeroportos e destinos turísticos. Esses são corruptos e mal-intencionados, pois sabem muito bem que estão do lado errado, e negam o Golpe ou por ter algo a perder com o atual governo ou por colaborar voluntariamente com a desinformação. E porque se tenta um Golpe de Estado no Brasil? Penso que os motivos vão um pouco além da pura e simples disputa partidária pelo poder. Ocorre que um poderoso grupo político, representante dos direitos das mais altas e importantes camadas das elites, perdeu as quatro últimas eleições presidenciais, e vive (ou vivia) a real perspectiva de perder a quinta eleição seguida. Não que o partido que está atualmente no poder seja perfeito, ou unanimidade, mas esse partido subiu consideravelmente a qualidade de vida e o acesso ao mercado cultural, intelectual e de consumo da parcela da população que constitui a base das pirâmides social e econômica. E esse acesso incomodou muito a elite, em grande parte por simples preconceito. O outro motivo – e provavelmente o preponderante – é que o atual governo federal “permitiu” (sic, entre aspas) investigações um pouco mais sérias e profundas nos seculares esquemas de corrupção, ao contrário dos governos anteriores que dificultavam ao máximo essas investigações, seja extinguindo comissões de investigação, ignorando solenemente acusações e provas ou engavetando processos. Isso porque esses grupos políticos eram justamente os que estavam no poder e eram os mesmos que implantavam e comandavam os esquemas de corrupção. Derrubando o atual governo, as investigações cessam antes de atingir os corruptos tradicionais, e esses voltam a assumir o poder e a primazia sobre a corrupção. E como se constrói um Golpe? Primeiramente, através de muita manipulação ideológica midiática. Diariamente, constantemente, a conta-gotas, assedia-se o povo com notícias negativas sobre um grupo político e positivas sobre outro – independentemente da verdade. Ênfase para esta última frase. Desse modo, se forma no subconsciente dos indivíduos a convicção de que um grupo é corrupto, do mal, e o outro é honesto, do bem. Depois, instala-se um denuncioduto: uma sequência de acusações de crimes baseados em factoides, ou em delações fajutas vindas de flagrantes corruptos em busca de redução de pena, ou essas delações são obtidas através de coações e torturas, e vaza-se seletivamente trechos editados dessas para a imprensa continuar seu trabalho de manipulação do povo. Daí instala-se na população a indignação seletiva, que é quando a ideia de que um determinado partido é corrupto está tão solidificada na cabeça das pessoas que elas passam a ignorar completamente a corrupção dos outros. A imprensa do P.I.G. também faz seu importante trabalho, ignorando solenemente a corrupção – na maioria das vezes permeadas de provas – de um lado, e evidenciando a de outro – na maioria das vezes sem prova alguma. Outra ferramenta importante do Golpe é o aparelhamento do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal. Com uma maioria partidária, investiga-se só um lado, prende-se só de um lado, ignora-se o outro, que continua blindado, com carta branca para a corrupção desenfreada. Não vacilemos. Precisamos de união e de informação de qualidade, com confiabilidade e, principalmente, de força. Com o Golpe, rasga-se a Constituição, acaba-se com o Estado de Direito, assassina-se a Democracia e se tira um governo legítimo do poder à força, sem que essa tenha cometido crime algum, sem nenhum motivo legal para tanto, mas com ares de que tudo ocorreu dentro da legalidade. Com o Golpe, ninguém está imune. Digamos, todos, não ao Golpe!

quarta-feira, 9 de março de 2016

fascistas

beijam a culpa nos outros
reúnem-se todos os dias no ódio
aplaudem inimigos no pódio

cospem covardias ferozes
da história nunca leram os livros
na mentira descobriram-se vivos

gritam sempre que não é consigo
enchem de árido o pulmão pelego
ascendem velas de santo para o medo

traem o chão que de sola pisam
na consciência que não tem classe
cara de rosto que perdeu a face


terça-feira, 8 de março de 2016

não deu tempo

queria fazer poemas para crianças
porém não deu tempo
as crianças cresceram

continuo sendo criança
 só sei brincar de esconde-esconde
mas ainda não me achei

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

solidão

hoje o dia até machuca de lindo
o sol sangra sua solidão
no céu nenhum algodão

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

aquilo que se come

poesia é aquilo que não pode ser dito 
de outra forma
pão é aquilo que se come
da mesma forma

agorinha

o futuro passou agorinha
deu tchau e voou andorinha

vem vindo aí o passado
vai dizer oi e voar de lado

demos de asas com o presente
voando o voo dos inocentes

de quem morreu voando aquele homem?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

no meio do silêncio

cuidar que a esperança não contagie
ver o pássaro como ele é
o voo, os ares e o céu é outra coisa

cuidar da necessidade mais imediata
não ansiar pelo futuro que virá
olhar para ele pelo retrovisor

cuidar que o espelho reflita sempre
aquilo que somente ele enxerga
dar à narciso apenas o que merece

cuidar de seguir sempre a vida
segue seguindo a fórmula do acaso
a curiosidade procura-se com os membros

cuidar sempre de não descuidar
se aquela dor insuportável aumentar
o grito encontra-se no meio do silêncio

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

receita de arroto

juntar duas gramas
do impossível
levar ao gole
junto ao vinho da promessa
esperar cinco minutos
arrotar escondido
mas com o espírito livre
depois cantar a música
bem baixinho
para o pulmão poder fazer o fole
com o coração nos tambores
repetir a dose
quando quiser
até não mais viver
morrendo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

13 fins da picada

1
uiva o silêncio incomodando o barulho
2
há ficção de filme real no perigo inexistente
3
a maçã conversa com a banana
4
eva e adão expulsam a serpente
5
a serpente vai reclamar com deus
e é promovida a peçonha
6
já não se fazem mais pessoas em preto e branco
como antigamente
7
alguns casos requerem fotos
outros a digital da alma
e ainda noutros atestado de saliva
8
confirmando a senha fique tranquilo
sua passagem pelo paraíso
está quase expulsa
9
domingo é dia de pensar no auge
10
sapatos angustiantes foram feitos
antes e sob medida para o calo
11
a escalação depende somente
daquilo que você ainda não fez
12
cigarros são amigos do cancer
que é nosso melhor amigo do cão
13
que sem aquele sorriso
fica sem rabo preso com a gente


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

dizeres

1
noto que um poeta antigo
fez versos enobrecendo a guerra
a guerra já era o que sempre foi
e o poeta acabou

2
nuvens elétricas
pairam sobre mim
pára-raio ambulante
descarrego tétricas
paisagens dissonantes

3
morando onde o vento dorme
ondas sem acordes
morando onde o tempo pulsa
comendo a faca que do corte
a carne o sangue expulsa
morando onde mora a morte
ascendendo a culpa que é da sorte

4
empresta-me tua sorte faca
dou-te estes dois legumes
o ânimo de tuas lâminas

5
amor com amor
se flagra

6
cigarro mata meu tempo
de espera...
sigo na esperança

7
assistindo dou assistência
e assisto ao gol do meu
coração do time

8
cuidado
com aquela palavra
que machuca
ela não tem culpa
tua boca é a desculpa

9
sorrir ficou devendo
devo sorrir
e fincar os dentes

10
mais do mesmo gesto
mesmo gesto do menos
e mais sangria de alegria
que a ordem em progresso
é um país expresso
dotado, ditado e deitado
no mapa da xícara

11
caso ele não caiba
ele já coube
caso ele não haja
ele já hoje

12
com a palavra a orelha
com a voz o coração
com a fala o olho
o coração diz
o que a orelha escuta
e o olho com a palavra fala

13
invade meu tempo
coração e sono
invade meu sonho
que por ora é consolo
mesmo assim não aceito
teu socorro

14
o igual não é
o desigual é

vida e volta
a vitória da derrota

15
largada...desaparecem
chegada...evaporam

16
longa vida ao fugaz
ao sutil e aos demais

17
invadias as minhas
horas, mente e minutos
invadias meus viadutos
que por ora diminutos
mesmo assim
não aceitam insultos

18
soberba e dinheiro
não irão no teu enterro

19
- onde há paz?
- onde há paz!

20
sem sombra 
de dúvidas
o sol queima

sem sobras
a fome 
teima

com fogo
fazemos
comida

21
quando aprendemos tudo errado
a cicatriz protagoniza
a cena não fecha
o espetáculo
continua ao vivo
e há dores