nasceu
quem acende a luz
o gelo é para conservar o corpo
mãos para colhê-las
morto de fome
matam pessoas
sem meias
sou amigo
nasceu
quem acende a luz
o gelo é para conservar o corpo
mãos para colhê-las
morto de fome
matam pessoas
sem meias
sou amigo
é o tempo
a lama está matando
é brumadinho
a pressão está evaporando
é a carne
o vírus está em viagem
é a máscara
a veia está saltada
é o sangue
o elástico está no braço
é impressionante
sai de mim
com tua malevolência
sou mais fé
do que crença
sai de mim
com teu ignorar
sou mais ser
do que estar
sai de mim
com teu olhar turvo
sou mais nada
do que tudo
sai de mim
com o teu rabo
sou mais demônio
do que o diabo

a escuridão é amigável
descobre-se muitas coisas nessa amizade
pode-se enganar qualquer um
menos um gato
menos ainda a maldição da pantera
que é livre
isso é o que apavora
é preciso curar a crença
antes que ela mate todos os felinos
não meta os pés pelas mãos
não seja só estranho
seja estranho a seu modo
não traga o mal ao mundo
pode haver tempestade à vista ou
um gato caminhando sobre tua tumba
no conflito de vontades
no acreditar sem contar segredos
só existe o silêncio
detalhes que se consertam
salvando a circunstância